Respirar pela boca para dormir, acordar com a garganta seca ou sentir que uma narina permanece constantemente mais fechada não são incômodos que precisam ser normalizados. Em muitos casos, esses sintomas estão relacionados ao desvio de septo, uma alteração que pode ser tratada com septoplastia quando há impacto real na respiração e na qualidade de vida.

O septo é a estrutura interna formada por cartilagem e osso que divide as duas cavidades nasais. Ele raramente é perfeitamente reto, e pequenas curvaturas podem não causar nenhum problema. A questão clínica surge quando o desvio reduz a passagem de ar, dificulta o tratamento de outras doenças nasais ou contribui para sintomas persistentes. Por isso, a indicação cirúrgica não depende apenas da aparência do exame: ela considera o que o paciente sente, a avaliação interna do nariz e o objetivo do tratamento.

O que a septoplastia corrige

A septoplastia é a cirurgia destinada a reposicionar e remodelar as partes desviadas do septo nasal, buscando ampliar o espaço para a passagem de ar. O procedimento é realizado por dentro do nariz. Em geral, não tem como finalidade mudar a aparência externa nasal.

Essa distinção é relevante para alinhar expectativas. A septoplastia trata a estrutura interna. Já a rinoplastia é indicada quando há uma queixa estética do nariz ou necessidade de correções externas que também possam interferir na função. Quando o desvio de septo e a alteração estética coexistem, pode ser recomendada uma abordagem combinada, planejada de forma individualizada.

O objetivo não é criar um nariz “perfeito” em exames, mas melhorar uma obstrução que tenha repercussão prática. Há pacientes com desvios acentuados que respiram bem e não precisam operar. Outros apresentam uma deformidade aparentemente discreta, mas têm sintomas importantes porque também existem aumento dos cornetos nasais, rinite, alterações das válvulas nasais ou sinusite crônica.

Quando a septoplastia pode ser indicada

A obstrução nasal contínua ou recorrente é a queixa mais frequente. O paciente pode perceber dificuldade maior de um lado, piora ao deitar, necessidade de fazer esforço para inspirar ou redução da capacidade de respirar pelo nariz durante exercícios físicos.

Também é comum que a investigação seja indicada em casos de ronco, sono não reparador, respiração oral, sangramentos nasais repetidos e infecções sinusais de repetição. Entretanto, esses sinais não confirmam isoladamente que o septo é o único responsável. Ronco, por exemplo, pode envolver garganta, língua, peso corporal e apneia do sono. A cirurgia nasal pode favorecer a respiração pelo nariz, mas não deve ser apresentada como solução automática para todo quadro de ronco.

Em algumas pessoas, o desvio impede uma boa drenagem das cavidades nasais ou dificulta o acesso em cirurgias para sinusite crônica. Em outras, compromete o resultado funcional de uma rinoplastia. Cada cenário exige uma estratégia cirúrgica própria.

A decisão começa com consulta em otorrinolaringologia, histórico detalhado dos sintomas e exame físico. A nasofibroscopia, quando necessária, permite observar as estruturas internas do nariz com precisão. Tomografia pode ser solicitada especialmente diante de sinusite, trauma prévio, suspeita de outras alterações anatômicas ou planejamento de procedimentos associados.

Rinite e desvio de septo não são a mesma coisa

Muitas pessoas atribuem toda dificuldade respiratória ao desvio de septo, embora a rinite seja uma causa muito frequente de congestão. A rinite provoca inchaço da mucosa, espirros, coriza e coceira, geralmente com variações conforme clima, poeira, cheiros ou alérgenos. A septoplastia não cura rinite.

Ainda assim, as duas condições podem ocorrer juntas. Corrigir um desvio relevante pode melhorar o fluxo de ar, mas o controle da rinite continua sendo parte essencial do cuidado. Isso pode incluir higiene nasal, medicações prescritas e medidas para reduzir gatilhos ambientais. Uma avaliação cuidadosa evita operar esperando um resultado que depende, em parte, de tratamento clínico contínuo.

Como é feita a cirurgia de septoplastia

A septoplastia é usualmente realizada em ambiente hospitalar, sob anestesia geral. O cirurgião faz incisões internas, descola cuidadosamente a mucosa que recobre o septo e corrige as áreas de cartilagem e osso que estão desviadas. Sempre que possível, preserva-se uma estrutura de suporte adequada para manter a estabilidade do nariz.

Ao final, podem ser utilizados pontos internos e, em alguns casos, placas finas de silicone temporárias. O uso de tampão nasal varia de acordo com a técnica e com a necessidade de cada procedimento. Não é uma regra para todos os pacientes, e essa definição faz parte do planejamento cirúrgico.

Quando há hipertrofia dos cornetos inferiores, pode ser indicada cirurgia associada para reduzir o volume dessas estruturas sem comprometer sua função de aquecer, filtrar e umidificar o ar. Se houver deformidades externas, estreitamento da válvula nasal ou queixa estética, a rinoplastia funcional ou estruturada pode ser discutida no mesmo planejamento. Associar procedimentos pode ser vantajoso em casos bem selecionados, mas também aumenta a complexidade e exige avaliação técnica precisa.

Recuperação: o que costuma acontecer nas primeiras semanas

No pós-operatório, é esperado que o nariz fique congestionado nos primeiros dias. Isso ocorre pelo inchaço interno, pelas secreções e, quando presentes, pelas placas de silicone. A sensação pode lembrar um resfriado forte, mas tende a melhorar progressivamente conforme a cicatrização avança.

Dor intensa não é o mais habitual, embora possa haver desconforto, pressão facial leve e sensibilidade. As medicações devem ser usadas exatamente como prescritas. Lavagens nasais com solução salina costumam ser importantes para remover crostas e secreções, mantendo o interior do nariz hidratado durante a recuperação.

Atividades físicas, exposição solar intensa, esforço para carregar peso e situações com risco de trauma nasal precisam ser suspensos por um período definido pelo cirurgião. As orientações variam conforme a extensão da correção e a realização ou não de procedimentos associados. Retornar antes do tempo pode aumentar sangramento, inchaço e desconforto.

Pequenos sangramentos ou secreção rosada podem ocorrer no início. Já sangramento persistente em grande volume, febre, dor que piora de forma importante, alteração visual ou dificuldade respiratória acentuada exigem contato imediato com a equipe responsável. O acompanhamento pós-operatório é parte da segurança do tratamento, não apenas uma etapa burocrática.

Quando a respiração melhora?

A melhora não é imediata para todos. Nas primeiras semanas, o inchaço interno ainda pode limitar a passagem de ar. Muitos pacientes percebem evolução gradual após a retirada de placas, quando utilizadas, e com a redução das crostas e do edema. A cicatrização mais estável leva alguns meses.

O resultado também depende das demais causas de obstrução. Uma pessoa com rinite ativa, por exemplo, pode continuar tendo períodos de congestão mesmo após uma septoplastia tecnicamente bem executada. O benefício esperado é uma via aérea nasal mais adequada, não a ausência absoluta de qualquer sensação de nariz fechado ao longo da vida.

Riscos e limites que devem ser conversados

Como qualquer cirurgia, a septoplastia envolve riscos, ainda que complicações relevantes sejam incomuns quando há indicação adequada, planejamento e acompanhamento. Podem ocorrer sangramento, infecção, aderências internas, perfuração do septo, persistência parcial da obstrução e necessidade de revisão em situações específicas.

Existe também o risco de resultados abaixo do esperado quando a causa da dificuldade respiratória não é exclusivamente septal. Por isso, uma consulta responsável não se limita a confirmar que existe desvio. Ela identifica a origem predominante dos sintomas, discute alternativas clínicas e explica o que a cirurgia pode ou não resolver.

A experiência do cirurgião é particularmente relevante em casos de trauma nasal, cirurgias prévias, desvios complexos e indicação associada à rinoplastia. Nesses cenários, preservar suporte estrutural e função respiratória requer domínio da anatomia nasal e planejamento individual.

Uma decisão baseada em função e avaliação personalizada

A septoplastia pode representar uma mudança significativa para quem convive com limitação respiratória persistente, mas a cirurgia deve ser indicada por critérios clínicos claros, não apenas pela presença de um desvio no exame. Uma avaliação especializada permite diferenciar problemas do septo, cornetos, válvulas nasais, rinite e seios da face, definindo o tratamento mais coerente para cada nariz.

Em Sorocaba, o Dr. Guilherme Lippi Ciantelli realiza essa análise com foco na função respiratória, na segurança cirúrgica e, quando necessário, na harmonia entre as estruturas internas e externas do nariz. O passo mais útil é transformar sintomas repetidos em uma avaliação objetiva, com espaço para perguntas e expectativas realistas.

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